O Setembro Amarelo é o mês dedicado à prevenção e conscientização contra o suicídio.
O suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial e o aumento no número de casos, durante a pandemia, pode estar ligado a diferentes fatores como: medo, isolamento, solidão, desesperança, ansiedade, depressão, morte de parentes e amigos, dificuldade de acesso ao tratamento da saúde mental, doenças e outros problemas de saúde. Se a presença de um transtorno mental é um risco para o suicídio, o agravamento de seus sintomas durante o isolamento pode se tornar ainda maior. Problemas financeiros e o aumento da violência doméstica, pela proximidade com os algozes, também contribuíram para o aumento nos índices.
“O assunto é muito sério e precisa ser desmistificado, porque salva vidas. E quando se trata da população transgênero, tudo fica potencializado, pelas questões já conhecidas, como não aceitação na família, no ambiente escolar ou profissional, violência ou expulsão de casa, transfobia e falta de políticas sociais. Acredito que o caminho é deixar de discriminar as pessoas trans, porque enquanto a gente não verbalizar, as pessoas vão continuar se suicidando. Isso sem contar os números de homicídios no Brasil, de indivíduos LGBTQIA+, que são os maiores no mundo”, explica Vanessa Jaccoud, psicóloga clínica e criadora da Associação TRANquilaMENTE, voltada para a saúde mental de indivíduos transgêneros.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos. É preciso ter coragem de falar, de achar caminhos, de deixar de discriminar, de ajudar. Porque enquanto isso não ocorrer, as pessoas vão continuar sofrendo ou se suicidando.
O Setembro Amarelo nasceu em setembro de 1994, nos Estados Unidos, quando o jovem de 17 anos, Mike Emme, cometeu suicídio. Ele tinha um Mustang 68 amarelo e, no dia do seu velório, seus pais e amigos decidiram distribuir cartões amarrados em fitas amarelas com frases de apoio para pessoas que pudessem estar enfrentando problemas emocionais. No Brasil, foi criado em 2015, pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).
