Filhotes de tartaruga-cabeçuda nascem na Praia da Paúba, em São Sebastião

Zoo GermaMota (Pet)

Região não é considerada área regular de desova da espécie, mas ocorrência reforça importância do monitoramento contínuo

Durante o monitoramento da Praia da Paúba, em São Sebastião, a equipe de campo do Instituto Argonauta para Conservação Costeira e Marinha, instituição criada pelo Aquário de Ubatuba e atuante pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), foi abordada por um morador local que estava com um filhote de tartaruga-marinha recém-nascido, encontrado nas proximidades da faixa de areia.

No local, foram confirmados, até o momento, quatro nascimentos. Os filhotes, da espécie tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), já haviam seguido em direção ao mar.

A médica-veterinária Mariana Zillio explica que a região não é considerada área regular de desova da espécie. “O litoral norte paulista não é caracterizado como uma área prioritária de nidificação de tartarugas marinhas, mas eventualmente registramos ninhos esporádicos. Por isso, o monitoramento contínuo é fundamental para garantir a proteção desses eventos pontuais”, destaca.

A profissional ressalta ainda a importância da conduta adequada da população. “Ao encontrar filhotes ou indícios de ninho, a orientação é não tocar, não recolher e não tentar levar os animais até o mar. A manipulação inadequada pode causar estresse e comprometer o sucesso da eclosão. O correto é manter distância e acionar imediatamente as equipes responsáveis”, orienta.

Para o presidente do Instituto Argonauta, o oceanógrafo Hugo Gallo, a atuação integrada é fundamental em ocorrências como essa. “Embora nossa região não seja área tradicional de desova, esses registros esporádicos exigem resposta técnica imediata. Estamos atuando em conjunto com a Fundação Projeto TAMAR para localizar o ninho, monitorar a área e garantir que, caso ocorram novos nascimentos, os filhotes tenham condições adequadas para alcançar o mar com segurança”, afirma.

O local seguirá sob monitoramento ao longo do dia pelas equipes do Instituto Argonauta e da Fundação Projeto TAMAR, base de Ubatuba, com o objetivo de localizar o ninho, verificar a possibilidade de novos nascimentos e assegurar a proteção da área.


Sobre o Instituto Argonauta
O Instituto Argonauta para Conservação Costeira e Marinha é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, fundada em 1998, a partir da iniciativa da diretoria do Aquário de Ubatuba, com o objetivo de promover a pesquisa científica, a conservação ambiental e a educação para a sustentabilidade no litoral norte paulista. Desde 2015, o Instituto Argonauta integra a rede de instituições executoras do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), atuando no Trecho 10, que compreende os municípios de Ubatuba, Caraguatatuba, Ilhabela e São Sebastião.

Sobre o PMP-BS
O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama. O projeto tem como objetivo avaliar possíveis impactos dessas atividades sobre a fauna marinha e costeira, por meio do monitoramento sistemático das praias e do atendimento a ocorrências envolvendo animais vivos ou mortos.

A iniciativa ocorre desde Laguna/SC até Saquarema/RJ, dividida em 15 trechos. O Instituto Argonauta é responsável pelo Trecho 10, sob coordenação técnica da Mineral Engenharia e Meio Ambiente.

Para mais informações: www.comunicabaciadesantos.com.br

 📞 Em caso de avistamento de animais marinhos, entre em contato: 0800 642 3341