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Anna Maria Maiolino – PSSSIIIUUU… Última semana

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Com performance, mostra antológica da artista termina dia 24 de julho, no Instituto Tomie Ohtake

Imagens

Para o encerramento da exposição, Anna Maria Maiolino concebeu Hoje é o amanhã, sem antes nem depois, performance que acontece dia 24/07, domingo, às 16h. A artista convidou Tania Piffer para juntas construírem, com as próprias vozes e cantos, paisagens sonoras que sugerem morte, vida e ressureição. Além da voz de Piffer e do seu instrumento, a performance é composta das vozes do grupo de mulheres participantes. Estes sons foram realizados com poucos ensaios, apostando na improvisação no ato da apresentação final. São sons pré-verbais, lamentos, choro e cantos improvisados por todas.

Exposição

A exposição inédita de Anna Maria Maiolino ocupa, com cerca de 300 obras, todas as três grandes salas do andar superior do Instituto Tomie Ohtake. O curador Paulo Miyada esteve nos últimos três anos ao lado da artista para juntos desenharem o projeto a partir de muitas horas de conversa. A mostra antológica, uma vez que traz momentos, obras e acontecimentos significativos na “vida-obra” de Maiolino, como ela mesma nomeou, traz pinturas, desenhos, xilogravuras, esculturas, fotografias, filmes, vídeos, peças de áudio e instalações. Segundo Miyada, Anna Maria Maiolino – psssiiiuuu… (onomatopeia que pode ser assobio, chamado, flerte, pedido de silêncio, segredo, sinal) foi concebida como uma espiral que circula entre todas as fases e suportes da carreira da artista. A analogia com a espiral se refere à maneira de voltar e ir adiante ao invés de seguir uma cronologia linear. “Vai-se adiante para se reencontrar o princípio, consome-se energia para devolver as coisas ao que sempre foram”, destaca o curador.

Catálogo

O catálogo da exposição traz um extenso ensaio de Paulo Miyada, reproduções de todas as obras e ainda seleção inédita de escritos da artista ao lado de documentos, projetos, fotografias e esboços. Esses documentos reforçam a prerrogativa de gênero, maternidade, sexualidade, políticas migratórias e questões sociopolíticas como aspectos-chave de um trabalho que é completamente misturado com vida, mesmo quando sua aparência não é obviamente autobiográfica, nem predominantemente narrativa. De modo complementar à exposição, essa publicação oferece uma oportunidade única de considerar as implicações entre vida e obra de Anna Maria Maiolino.(R$149,00 livrarias Gaudí e Martins Fontes)

 

Performance: Hoje é o amanhã, sem antes nem depois

Dia 24 de julho, domingo, às 16h – aberta ao público

 

Exposição: Anna Maria Maiolino – psssiiiuuu…

Até 24 de julho de 2022

De terça a domingo, das 11h às 20h – entrada franca

Patrocínio: Credit Suisse

Apoio: Valora Investimentos e Brazil Foundation

 

Instituto Tomie Ohtake

Av. Faria Lima 201 (Entrada pela Rua Coropés 88) – Pinheiros SP

Metrô mais próximo – Estação Faria Lima/Linha 4 – amarela

Fone: 11 2245 1900

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Na próxima semana, começa o FliMUJ – Festival Literário do Museu Judaico de São Paulo

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O festival busca fomentar a pluralidade de visões acerca de temas contemporâneos a partir de perguntas que atravessam os campos da literatura e de expressões de não ficção

“Em que ponto está a noite, sentinela?”
Primo Levi, no poema Nachtwache, de 1983

 

A primeira edição do FliMUJ – Festival Literário do Museu Judaico de São Paulo foi idealizada a partir do apreço pela pergunta, um traço tipicamente judaico, em uma tentativa de explorar as complexidades das questões contemporâneas brasileiras a partir da diversidade de pontos de vista. O festival de entrada gratuita, que acontece entre 6 e 9 de outubro, conta com a curadoria da dupla Fernanda Diamant, jornalista e editora, e Bianca Santana, jornalista, cientista social e pesquisadora, e tem confirmados os nomes de Sueli Carneiro, Noemi Jaffe, Allan da Rosa, Betty Fuks, Lira Neto, Natalia Timerman, Jerá Guarani, Nilton Bonder, a israelense Ayelet GundarGoshen, entre outros.

Foto: Fernando Siqueira

“Nosso primeiro festival literário se orienta pela metáfora do Museu Judaico de São Paulo: a trança entre povos, culturas e temporalidades. Assim, imaginamos o FliMUJ, junto às curadoras convidadas, como um festival que trança autoras e autores judeus e não judeus, perspectivas judaicas e não judaicas, brancas, negras e indígenas, normativas e não normativas, brasileiras e internacionais, que entrelaça passados, presentes e futuros como fenômenos vivos e, sobretudo, realça as luzes e as sombras do nosso tempo”, afirma o diretor executivo do Museu Judaico, Felipe Arruda. 

Localizado no segundo subsolo do Museu, em um espaço com cenografia assinada por Stella Tennenbaum, o festival oferece ao público três mesas de debates por dia com temas que variam entre judeidade literáriaculturas indígena e judaica, judeidade e negritude, religião e arte e democracia no Brasil. Os livros dos autores estão disponíveis para venda na tenda da Megafauna, dentro do Museu.

Na visão de Bianca Santana, “estamos precisando de mais possibilidades de interpretar o que está acontecendo no Brasil, ouvindo perspectivas aparentemente distantes em diálogo e nos fazendo novas perguntas, porque as usuais não têm dado conta. Esperamos que o primeiro Festival Literário do Museu Judaico de São Paulo permita bons encontros e nos provoque a imaginar, a partir da literatura, a democracia plena que ainda não experimentamos.”

O festival é antecedido pelo dia do perdão, – Yom Kipur – , data mais importante do calendário judaico. Logo após um período de reflexão profunda, e reconciliação com o sagrado e com as pessoas, o Museu inicia um evento literário em que escritoras e escritores farão perguntas entre si e para artistas e intelectuais de diferentes origens, crenças e campos do conhecimento. É também simbólico que, ao final do quarto dia de festival, comece Sucot, a Festa das Cabanas, que rememora tempos de nomadismo no deserto, da travessia da escravidão para a liberdade. Estamos disponíveis para um novo ciclo?

Para Fernanda Diamant, “É uma dupla felicidade fazer a curadoria do primeiro festival literário desse jovem Museu totalmente sintonizado com o presente, e em parceria com a Bianca Santana, que eu considero uma das mais instigantes intelectuais do Brasil”. Num momento crucial para a democracia no país, a primeira edição do FliMUJ coloca a pluralidade da cultura judaica em fricção com ela mesma e com o diferente para pensar temas caros à sociedade contemporânea, como a democracia, as identidades e o luto, entre outros.

Programação Completa

06 de outubro, quinta-feira, às 17h30
Cerimônia de abertura

06 de outubro, quinta-feira, às 18h
Existe uma judeidade literária?
A construção de identidade judaica na diáspora, as tradições religiosas e sociais, e a violência psíquica causada pelo trauma e pelo preconceito são insumos para a literatura e para a produção intelectual nos diferentes campos do conhecimento. Os reflexos das origens judaicas na obra de Clarice Lispector e na gênese da psicanálise — que tanto reverbera na produção literária contemporânea — são os pontos de partida desse encontro que inaugura o festival.
Betty Fuks e Yudith Rosenbaum, com mediação de Daniel Douek

06 outubro, quinta-feira, às 20h
Eretz tropical?
Pouca gente sabe que os judeus sefarditas são parte fundamental da história das Américas desde o século 17. A fuga das perseguições da Inquisição na Península Ibérica, a ocupação da ilha de Manhattan, a presença holandesa no Recife, os judeus marroquinos que imigraram para o Pará no século 19, os judeus-caboclos do ciclo da borracha serão algumas das histórias tratadas nessa conversa entre dois grandes escritores brasileiros.
Lira Neto e  Márcio Souza, com mediação de Rita Palmeira

A mesa “Eretz tropical?” conta com a colaboração da livraria Megafauna

 07 de outubro, sexta-feira, às 16h
A tchotchke virou tchutchuca?
A história singular das judias polonesas, conhecidas como polacas, forçadas à prostituição na primeira metade do século 20, mostra como essas mulheres criaram modos de sobreviver ao serem excluídas de sua comunidade. Elas, que não puderam ser enterradas dentro dos cemitérios judaicos, têm agora suas imagens projetadas na cúpula da antiga sinagoga que abriga este Museu, e abrem os caminhos para uma conversa sobre outras mulheres que ainda hoje têm suas existências ameaçadas e que ao mesmo tempo são agentes poderosas de seus destinos.
Amara Moira e Paula Janovitch, com mediação de Assucena

07 de outubro, sexta-feira, às 18h
Onde estão os guarani?
Por mais distantes que possam parecer à primeira vista, as culturas indígena e judaica, nas suas mais variadas manifestações, podem ser entrelaçadas em temas essenciais, tanto históricos quanto relativos a suas tradições. A relação com a terra é um deles, as perseguições e os projetos de extermínio são outros. Mas também a delicada relação com a música e as histórias transmitidas entre gerações. Nesta conversa, Timóteo Verá Tupã Popyguá, liderança guarani, autor do livro “A Terra uma só”  — que conta seu aprendizado nos caminhos que percorreu junto ao seu povo Guarani Mbya — conversa com Renato Sztutman, antropólogo e professor da Universidade de São Paulo.
Timóteo Verá Tupã Popyguá conversa com Renato Sztutman, com mediação de Valéria Macedo

07 de outubro, sexta-feira, às 20H
Racismo e antissemitismo estão suficientemente narrados?

Contar os traumas – no divã, na literatura, no cinema, nas artes do corpo – é um caminho efetivo para processá-los, tanto individual quanto coletivamente. Na clínica psicanalítica e na literatura brasileira, como têm sido elaborados o racismo antinegro e o antissemitismo?
Maria Lúcia Silva e Noemi Moritz Kon, com mediação de Lilia Moritz Schwarcz

08 de outubro, sábado, às 11H
O Brasil foi algum dia a favor da democracia?
Em regimes autoritários, como as ditaduras vividas no Brasil, na Argentina e no Chile, o Estado viola direitos sob pretextos como garantir a segurança nacional. Regimes autoritários deixam sequelas, assim como a escravidão deixou. Mesmo em períodos democráticos, o Estado brasileiro impõe terror a parte expressiva de sua população, principalmente negra e indígena, uma das manifestações macabras herdada desse passado. Débora Maria da Silva, uma “mãe de maio”, que teve o filho assassinado em São Paulo no ano de 2006, e Roberto Simon, que contou em seu livro como a ditadura brasileira ajudou na derrubada da democracia chilena conversam sobre violência de Estado: presente, passado, futuro.
Débora Maria da Silva e Roberto Simon, com mediação da Thais Bilenky 

08 de outubro, sábado, às 14h
O que vem depois da morte?
O mais recente livro da escritora Noemi Jaffe trata da morte de sua mãe, Lili, em fevereiro de 2020, aos 93 anos.  Sobrevivente do Holocausto, Lili Jaffe era iugoslava e escreveu um diário relatando o que viveu em Auschwitz – publicado em 2012 com o título O que os cegos estão sonhando? Sua filha transcende seu relato brutalmente honesto sobre o luto e cria um grande elogio à memória. No judaísmo, assim como em tradições bacongo, a memória tem papel central. Tiganá Santana traduziu, em sua tese de doutorado, A cosmologia africana dos Bantu-Kongo, de Bunseki Fu-Kiau, além de ter produzido reflexões e diálogos com essa obra fundamental.  Uma conversa entre Noemi Jaffe e Tiganá Santana, mediada pela professora Jerá Guarani, é uma oportunidade de entrelaçar acepções milenares do luto.
Tiganá Santana e Noemi Jaffe, com mediação de Jerá Guarani

08 de outubro, sábado, às 16h
E agora, para onde vamos?
Mulheres fundamentais para a redemocratização do país construíram alianças sem deixar de tratar das diferenças – e de aprender com elas. Desde o Conselho Estadual da Condição Feminina, criada em São Paulo na gestão Montoro, ao feminismo enegrecido dos dias atuais, mulheres como Eva Blay e Sueli Carneiro têm apontado caminhos percorridos coletivamente. Em um momento de tantas dúvidas e angústias, resta a certeza de que o futuro é feminino.
Sueli Carneiro e Eva Blay, com mediação de Bianca Santana

08 de outubro, sábado, 18h
Quer voltar para casa?
Thriller psicológico, romance histórico, autoficção. Duas escritoras da mesma geração, uma israelense e outra brasileira, ambas com formação também em psicologia conversam sobre o tratamento literário de temas como violência, machismo, alteridade, diáspora, imigração e integração. Como tratar de assuntos tão contemporâneos através da arte em tempos de cancelamento, afirmação política e sensibilidades à flor da pele?
Ayelet Gundar-Goshen e Natalia Timerman, com mediação de Fernanda Diamant

A mesa “Quer voltar para casa?” conta com a colaboração da Editora Todavia, Organização Sionista Mundial, Instituto Brasil-Israel, Consulado Geral de Israel no Brasil e Embaixada de Israel no Brasil.

09 de outubro, domingo, 11h
A sinagoga ficava na Abolição?
Os rios do centro de São Paulo correm fora do alcance dos nossos olhos. Quando chove demais, notamos sua presença fantasmagórica. Camadas de demolições e novos edifícios compõem o caótico palimpsesto de concreto. Dois especialistas na configuração desigual do nosso tecido urbano nos levam pela mão para um passeio pelo multifacetado entorno do MUJ no passado, no presente e nas possibilidades de futuro.
Raquel Rolnik e Allan da Rosa, com mediação de Fernanda Diamant 

09 de outubro, domingo, às 14h
Onde se tocam religião e arte?
Tempo, memória, as relações entre o corpo físico e a espiritualidade, as expressões do sagrado são temas da produção artística e intelectual da poeta, ensaísta, professora e rainha de Nossa Senhora das Mercês, Leda Maria Martins, e do escritor, dramaturgo e rabino da Congregação Judaica do Brasil Nilton Bonder. A cultura brasileira, as tradições e filosofias judaicas e africanas se cruzam em uma conversa entre pensadores e artistas que ao mesmo tempo exercem papéis protagonistas na prática da religião.
Nilton Bonder e Leda Maria Martins, com mediação de Ilana Feldman

09 de outubro, domingo, às 16h
Rir pra não chorar?
Freud escreveu que o humor judaico seria uma forma de agressão sublimada das vítimas de perseguição. Outros dizem que a origem desse humor remonta a Abraão, informado por Deus de que Sarah teria um filho aos 91 anos. De todo modo, o humor pode funcionar como mecanismo de defesa contra injustiças ou possibilidade amigável de autocrítica. Levado a sério no judaísmo, ele se mistura com todos os gêneros artísticos e literários. Nem só de comédia vive o humor.
Luis Miranda e Michel Melamed, com mediação de Stephanie Borges.

 

Serviço

FliMUJ
Museu Judaico de São Paulo (MUJ)

Curadoria: Fernanda Diamant e Bianca Santana

Datas: de 06 a 9 de outubro

Local: Rua Martinho Prado, 128 – São Paulo, SP

Funcionamento: Terça a domingo, das 10 horas às 18 horas
Ingresso: Gratuito. Disponíveis pela Sympla.
Classificação indicativa: Livre

Acesso para pessoas com mobilidade reduzida

Acessível em libras

Tradução simultânea no dia 08 de outubro para a mesa com Ayelet Gundar-Goshen

 

 

Sobre o Museu Judaico de São Paulo (MUJ)

Inaugurado em dezembro de 2021, é o maior museu judaico da América Latina, fruto de uma ampla mobilização da sociedade civil. O MUJ apresenta exposições permanentes sobre a cultura, os ritos, a memória e a história judaica no Brasil, bem como exposições temporárias de arte contemporânea de artistas judeus e não judeus. Os visitantes também têm acesso a uma biblioteca com mais de mil livros para consulta e a um café que serve comidas judaicas. Para os projetos de 2022, o MUJ conta com doação do Instituto Cultural Vale, Instituto CCR, Bemol, Sotreq, Fundação Arymax, Dexco e Alfa Seguros.

 

O Festival conta com o apoio da Livraria Megafauna.

 

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Dia Nacional da Doação de Órgãos

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Dentes também são considerados órgãos – Saiba como eles podem ser doados e suas possíveis utilizações

O Dia Nacional de Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro, foi criado para conscientizar a sociedade sobre a importância da doação de órgãos. O Brasil está entre os maiores transplantadores de órgãos, tecidos e células do mundo. Porém, o que muitas pessoas não sabem é que o dente tecnicamente também é considerado um órgão e, como qualquer outro órgão do corpo humano, pode ser doado.

Seja o dente de leite que está caindo ou o permanente extraído, a sua doação é de extrema importância, por isso, não deve ser descartado. O indicado é encaminhar esse dente aos biobancos ou bancos de dentes, onde terá um destino apropriado.

A Cirurgiã-Dentista e especialista em Implantodontia Dra. Claudia Pires Miguel lembra que a realidade da Odontologia brasileira no século passado consistia em peregrinar entre cemitérios para captar elementos dentários para estudos. “De acordo com o regulatório atual, as instituições de ensino de Odontologia precisam manter os seus próprios bancos de dentes ou buscarem parcerias para viabilizar a disponibilização deste nobre material para seus alunos, coibindo desta forma qualquer tipo de ação criminosa, como o comércio de órgãos dentais”. No entanto, ela explica que nem somente de dentes depende a pesquisa em Odontologia. “Materiais biológicos humanos, como pedaços de ossos, gengiva, saco pericoronário e demais tecidos biológicos que contêm, inclusive, DNA, podem ser armazenados em biobancos”.

 

Outra modalidade de armazenamento de material biológico citada pela Implantodontista   são os Centros de Processamento Celular (CPC), que processam e armazenam células humanas para utilização futura (autólogo ou homólogo). Os CPCs podem ser públicos ou privados, já os biobancos, incluindo os bancos de dentes, são exclusivamente sem fins lucrativos e em geral estão ligados a uma instituição de ensino ou de pesquisa.

 

“Uma característica de um CPC é que, diferentemente de um Banco de Dentes, no CPC as células são armazenadas “vivas”, ou ao menos com potencial de viabilidade, podendo retomar à atividade celular. Portanto, a coleta do material pressupõe ausência total de contaminantes (sem cáries ou tártaro, no caso de células coletadas nos dentes) e, uma vez coletado, o material precisa ser colocado em um recipiente estéril com um líquido especial, cheio de nutrientes, fornecido pelo próprio CPC. Por isso, esta coleta precisa ser programada com antecedência”.

 

Como é feita a doação de dente

 

Para a doação de dentes ou material biológico aos bancos de dentes e/ou biobancos, Dra. Claudia explica que o material em geral é acondicionado em um frasco limpo, contendo água limpa, que deve ser trocada uma vez por semana até a entrega para a doação. Alguns bancos também recomendam o uso de água destilada ou soro fisiológico.

 

Para todos os casos de doação de material biológico é preciso enviar também o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) assinado pelo paciente e/ou seu responsável (quando paciente menor de 18 anos). Um Termo de Assentimento (TA) também é recomendado para que as crianças também tomem conhecimento e permitam a doação do seu material para uso em pesquisa e/ou para fins didáticos.

 

Dra. Claudia lembra que a colega, implantodontista e assessora técnica do Conselho Federal de Odontologia na área de células, sangue, tecidos e órgãos junto à Anvisa, Dra. Moira Pedroso Leão, costuma ressaltar que as leis, resoluções e demais normas regulatórias no setor acompanham uma tendência mundial em viabilizar o uso do material biológico para a prática da medicina regenerativa e permitir estudos na área da genética. “A literatura científica mostra que pedaços de dentes autólogos já foram usados de forma bem-sucedida para recuperar a visão de pacientes cegos em uma técnica conhecida por Osteo-Odonto-Queratoprótese Modificada”, compartilhou Dr. Moira.

 

Mais recentemente, a implantodontia, periodontia e a cirurgia têm utilizado a dentina particulada (também autóloga) como um enxerto que serve de arcabouço para formação de novo tecido ósseo. De acordo com Dra. Claudia, os transplantes dentários autógenos, quando um dente é deslocado de um local para outro, popularizaram-se no Brasil na década de 1980, seguindo um protocolo estabelecido há mais de 42 anos nos países escandinavos.

 

Condições para o sucesso do transplante

 

Para aumentar as chances de “pega” do transplante dentário, a Implantodontista informa que é fundamental que o dente esteja saudável e que seja removido de um local e transplantado imediatamente para o outro local, no mesmo paciente, ou seja, é uma técnica que deve ser sempre autóloga. “Em um transplante homólogo, em pacientes diferentes, teriam de ser removidas todas as células diferenciadas (como as de ligamento) para evitar a ativação do sistema imunológico, o que inviabiliza a técnica. Dentes transplantados na fase de rizogênese (processo de formação da raiz dentária) têm um prognóstico melhor do que os completamente formados”.

 

Dra. Claudia acrescenta que nos dentes transplantados com rizogênese completa pode acontecer a necrose pulpar, o que indicaria a necessidade de tratamento endodôntico. Ou seja, nos transplantes de dentes com raiz formada, o tratamento de canal é indicado em todos os casos.

 

Os transplantes têm demonstrado um percentual de sucesso razoável, principalmente quando aplicados nos casos de terceiros molares inferiores transplantados na posição dos primeiros molares condenados. “Um ponto importante deve ser ressaltado: os transplantes dentários não se contrapõem aos implantes. Os transplantes dentários têm indicações muito específicas para alguns casos de anodontia parcial (situações em que não há a formação de todos os dentes esperados) e como solução de traumatismo seguidos de perda dentária, especialmente em pacientes jovens. A limitação dos transplantes dentários em relação aos implantes também está relacionada à disponibilidade de órgãos dentários nos pacientes que possam ser transplantados”.

 

Quanto às atividades dos CPCs, levantadas pela Dra. Claudia junto à Dra. Moira, com a

descoberta de que células-tronco estão presentes nos tecidos dentários abriu-se um novo campo de atuação para o Cirurgião-Dentista, que pode atuar como protagonista na coleta e aplicação de material biológico processado para uso em medicina regenerativa.

 

Segundo Dra. Claudia, não importa se é o dente é decíduo (dente de leite) ou permanente, as células isoladas podem ser multiplicadas e usadas para o mesmo paciente (autólogo) ou para pacientes diferentes (homólogo), pois diferentemente das células diferenciadas, as células-tronco não são capazes de induzir resposta imune, pois em sua superfície não estão presentes os antígenos leucocitários, as proteínas que sinalizam que há um “estranho” no organismo. “Em termos práticos, podemos afirmar que as células-tronco são células que tem o potencial de recompor tecidos danificados e, assim, auxiliar no tratamento de doenças como o diabetes, Parkinson, Alzheimer, doenças degenerativas e autoimunes, assim como as doenças cardíacas, vasculares e sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC)”.

 

Dra. Claudia conclui com a ponderação de que, com a finalização do arcabouço regulatório em 2021, devemos vivenciar a implantação do uso de células em terapias celulares avançadas de agora em diante, tanto na área da Odontologia quanto em suas aplicações nas diversas especialidades da Medicina.

 

Fontes:

Regulatório – Lei nº 9.434, de 4 de fevereiro de 1997, Decreto nº 2.268, de 30

de junho de 1997, Código Civil Brasileiro. Lei nº 10406, de 10 de janeiro de

2002, Lei nº 10.211, de 23 de março de 2001, altera dispositivos da

Lei nº 9.434. Lei nº 11.105, de 24 de março de 2005. RDC/Anvisa – 508/2021.

 

 

Sobre o CROSP

O Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) é uma Autarquia Federal dotada de personalidade jurídica e de direito público com a finalidade de fiscalizar e supervisionar a ética profissional em todo o Estado de São Paulo, cabendo-lhe zelar pelo perfeito desempenho ético da Odontologia e pelo prestígio e bom conceito da profissão e dos que a exercem legalmente. Hoje, o CROSP conta com cerca de 170 mil profissionais inscritos.

Além dos Cirurgiões-Dentistas, o CROSP detém competência também para fiscalizar o exercício profissional e a conduta ética dos Auxiliares em Saúde Bucal (ASB), Técnicos em Saúde Bucal (TSB), Auxiliares em Prótese Dentária (APD) e Técnicos em Prótese Dentária (TPD).

Mais informações: www.crosp.org.br

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Com presença dos presidenciáveis, empresária baiana participa da Convenção Nacional da ABRAS

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Única representante baiana, Daniela Lacerda, CEO da Rede Corujão 24h, destaca a importância do encontro ‘A Nova Economia Supermercadista’

 

Com o tema “A Nova Economia Supermercadista”, a Convenção Nacional da Associação Brasileira de Supermercado (ABRAS) reuniu, nos dias 19 e 20, representantes do setor e os principais presidenciáveis para discutir as questões social, econômica e política do país. Entre os participantes, o destaque foi a empresária Daniela Lacerda, CEO da Rede Corujão 24h, única representante baiana na convenção a participar das perguntas direcionadas aos candidatos à presidência.

 

Convidada pela ABRAS, Daniela Lacerda participou da formulação das perguntas direcionadas aos presidenciáveis e também contribuiu para construção das pautas a serem debatidas no evento. Para a empresária, o encontro, que pela primeira vez reuniu candidatos à presidência, possibilitou discussões sobre a nova economia a partir de diferentes perspectivas e afirmou a importância da presença feminina no setor supermercadista.

 

“É a primeira vez que o evento traz os candidatos à presidência para a Convenção, portanto discutir a nova economia sobre as propostas voltadas para o meu setor, gera uma perspectiva mais direcionada de como devo atuar no mercado com as novas oportunidades. Além disso, hoje a presença da mulher no mundo corporativo tem cada vez mais relevância e saber que como CEO estou mostrando a nova geração do setor, que estou gerindo uma nova cadeia de representatividade, isso me deixa muito feliz”, celebra.

 

O objetivo do encontro “A Nova Economia Supermercadista” é possibilitar aos participantes interações com as lideranças e especialistas do setor, bem como conhecer novas estratégias para aplicar no próprio negócio. A empresária Daniela Lacerda destaca ainda que os temas voltados à ESG junto às mudanças da própria tecnologia (de 4G para 5G), foram os dos pontos mais discutidos, visto que ambos garantem avanços significativos em uma geração tão digitalizada.

 

“O evento nos direciona para o amanhã, para pensarmos no futuro próximo. Foi muito debatido na Convenção o tema ESG como uma cadeia de novos negócios rentáveis. Isso inclui uma boa liderança com envolvimento do Capital Humano, pilar principal na minha rede, ou seja, o que eles estão implementando agora, até em grandes Players do mercado, na minha empresa já faz parte da cultura de funcionamento”, explica.

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